Varizes

 

O que são veias varicosas?

Artérias trazem sangue rico em oxigênio de seu coração para o resto de seu corpo. Veias devolvem sangue pobre em oxigênio para seu coração.

Você tem 3 tipos de veias em suas pernas:

1- Veias superficiais: ficam próximas a sua pele; compreendem também as safenas: magna (ou interna) e parva (ou externa)

 

2- Veias profundas que ficam envolvidas por músculos. As Veias profundas conduzem o sangue a veia cava inferior que é a maior veia de seu corpo e que faz o retorno do sangue venoso ao seu coração.

 

3- Veias perfurantes que conectam veias superficiais a veias profundas.

 

As varizes são uma das doenças vasculares mais freqüentes e atingem cerca de 50% da população acima de 50 anos e 30% das pessoas com 30 anos em média. Tem origem hereditária e também pode ser desencadeada por gravidez, uso de anticoncepcionais e postural (ficar muito tempo em pé e sentado).

Elas se formam pelo enfraquecimento e desgaste nas válvulas das veias das pernas. O normal é que o sangue circule da veia superficial (visível, fica sob a pele, na camada de gordura) para a profunda (situada no meio da musculatura da perna e invisível).

Já as pessoas com as válvulas doentes têm uma inversão no caminho do sangue, da veia profunda para a superficial, e este aumento do volume sanguíneo resulta em dilatação e no aparecimento da doença. Veias varicosas são veias dilatadas e tortuosas que você pode ver através de sua pele. Elas podem se apresentar em diversas formas: apenas como minúsculas linhas avermelhadas serpentinosas (telangiectasias), ou mais calibrosas azuladas (varizes de médio calibre) ou ainda com nódulos que saltam o plano da pele (varizes de grosso calibre

 

Por que as varizes são mais comuns nas pernas do que em outros lugares?

Normalmente, depois do sangue sair do coração e chegar nas pernas e pés, ele tem que voltar ao coração e aos pulmões para receber mais oxigênio. Isso é feito com a ajuda dos músculos e das veias das pernas e dos pés. Eles “fazem força” para que o sangue destas regiões mais baixas do corpo suba em direção ao coração e pulmões (contra a gravidade). Além disso, para que o sangue que está subindo não volte, existem pequenas válvulas dentro das veias que impedem que isto aconteça. No entanto, quando por diferentes motivos o sangue não consegue subir, e se acumula nas veias das pernas e pés, as veias ficam dilatadas e aparecem as varizes.

 

Quais os Sintomas? 

Queimação nas pernas e plantas dos pés, inchaços especialmente nos tornozelos, prurido ou coceira, cansaço ou sensações de fadiga e peso nas pernas e câimbras. Podem ainda provocar manchas escuras e inflamações (como as flebites que ocorrem na parede dos vasos).

 

Quais os fatores de risco para Varizes? 

Vários são os fatores que aumentam a chance da pessoa ter varizes, sendo a hereditariedade (que passa de pais para filhos) o mais importante. Porém, outros fatores como a gravidez, hormônios (principalmente ou uso de anticoncepcionais e a terapia de reposição hormonal para a menopausa) ou ficar muito tempo em pé ou parado (por exemplo, balconistas, professores, vendedores etc.) também são fatores de risco importantes para o desenvolvimento de varizes.

De que testes/exames precisarei? 

Primeiro seu médico lhe pergunta por sua saúde geral, história médica, e sintomas; e faz um exame físico. Seu médico examinará a textura e cor de qualquer veia proeminente.

Para confirmar o diagnóstico  de veias varicosas e para um melhor planejamento terapêutico, seu médico pode solicitar um teste de Ecodoppler Venoso de membros inferiores.  Esse exame é usado para avaliar a competência e ver a estrutura de suas veias da perna (veias do sistema superficial e profundo) . O teste pode levar aproximadamente 20 minutos para cada perna. Além de mostrar veias varicosas, o ecodoppler pode ajudar seu médico a decidir se suas veias varicosas são relacionadas a alguma outra condição, como por exemplo sequela de trombose venosa profunda, varizes pélvicas ou síndrome de Cockett.

 

Como veias varicosas são tratadas? 

Existem vários tratamentos para as varizes, que devem ser indicados de acordo com cada caso.

Tratamento Clinico:

Entre esses tratamentos, podemos citar ou uso diário de meias elásticas de compressão (que ajudam o sangue a subir) e medicamentos como a cumarina e a troxerrutina; a diosmina/hesperidina; a castanha da índia etc., que podem melhorar a circulação das pernas amenizando os sintomas. Para o uso de meias elásticas, recomenda-se que a pessoa as coloque logo pela manhã, pois com o passar do dia, o sangue fica acumulado nas pernas e pés, o que dificulta a sua colocação e a subida do sangue. Em relação aos medicamentos, estes devem ser utilizados sempre de acordo com a prescrição médica para que funcionem adequadamente.

Escleroterapia:

A escleroterapia, conhecida por muitos como “aplicação”, é um tratamento destinado à eliminação das telangiectasias(vasinhos). Um líquido muito concentrado, chamado esclerosante, é injetado através de microagulhas, que são extremamente finas, dentro do vasinho. Este líquido provoca uma alteração na célula do vaso fazendo com que ele desapareça. Quando o líquido continua na circulação e atinge os vasos maiores é diluído pelo sangue e perde a concentração e, portanto, o efeito. Este tratamento é indicado apenas para os vasinhos, porque se o líquido for aplicado em vasos maiores podem provocar manchas e sérias complicações. Existem muitas substâncias que podem ser usadas e uma das mais empregadas é a glicose, por causa da grande tolerabilidade do paciente e por não causar alergia.

 

Laser Transdérmico:

Consiste no disparo do Laser através da pele promovendo a destruição da varicosidade pela dissipação de calor intenso, localizado e seletivo (fototermólise).

 

 

Espuma Ecoguiada:

Uma agulha é introduzida na veia comprometida guiada por imagens de ecografia vascular e realizamos a injeção da espuma esclerosante (combinação de um liquido esclerosante denominado Polidocanol e ar ambiente) ocasionando obliteração do lúmen da veia e oclusão da mesma. Se alguma veia não é completamente tratada, injeções adicionais podem ser dadas em sessões posteriores.

 

Microcirurgia com Anestesia Local:

É indicada para os casos mais leves de microvarizes. Pode ser feita em Hospital, ou na própria clínica. É aplicado apenas anestesia local no trajeto das microvarizes. As microvarizes são retiradas por pequenas incisões, tão pequenas, que não necessitam pontos para cicatrizar. A cirurgia é feita com o auxílio de microganchos que retiram as veias e as eliminam. É necessário um período de repouso não prolongado, usualmente de três a quatro dias, quando se retoma a atividade normal. Atividade física pode ser feita em 7 dias. É necessário um período sem tomar sol que varia de caso para caso. Este tipo de procedimento retira as veias reticulares (microvarizes) que estão sob a pele, formando trajetos azulados ou esverdeados e que freqüentemente estão intimamente associados com as telangiectasias ou vasinhos. Estas veias são muito freqüentes na face posterior do joelho e lateral da coxa e perna. Aparecem também na parte de dentro do joelho e coxa e às vezes na frente da tíbia. Quando estão associadas as telangiectasias (vasinhos) são fonte de refluxo e estase de sangue. Assim são em parte responsáveis pelo aparecimento dos vasinhos e devem ser tratadas também para melhores resultados

Microcirurgia com Anestesia Peridural:

Trata-se em essência do mesmo procedimento realizado com anestesia local, mas para pacientes que tem uma grande

quantidade de microvarizes. Neste caso a anestesia peridural substitui a anestesia local. Quando as varizes são em grande número, este procedimento é mais confortável. A cirurgia é feita em hospital.

Cirurgia de Varizes:

É um procedimento realizado em Hospital para portadores de varizes de médio e grosso calibre. A necessidade ou não de internação vai depender da extensão do procedimento, e varia da alta no mesmo dia até 1 dia de internação. O tempo de repouso é mais prolongado, se estendendo por 7 a 30 dias.

Este procedimento vai tratar as veias aparentes e suas causas. Assim serão retiradas as safenas se estiverem doentes, as colaterais, as perfurantes, as veias reticulares.

O paciente passa no pré-operatório por uma fase que chamamos de “marcação das varizes”. Neste procedimento pré-operatório, são desenhadas na perna, pelo cirurgião as veias que estão doentes, e são identificadas pelo exame clínico ou por ultra-som os pontos que apresentam refluxo ou estase, e que deverão ser tratados na cirurgia. Durante a cirurgia, o cirurgião vai seguir sua marcação prévia, como se fosse um projeto, para que os resultados sejam os melhores possíveis.

 

Cirurgia para varizes com Radiofreqüência:

É realizado através da inserção de um cateter e aquecimento da parede da veia com temperatura controlada de energia por radiofreqüência, ocasionando o fechamento da veia safena doente fazendo com que o sangue se direcione para veias saudáveis.

 

Cirurgia para varizes com LASER Endovascular – EVLT:

Nessa técnica ao invés de retirar as veias de grande calibre como a safena, elas são desligadas do corpo e tratadas por uma microfibra ótica, que transmite o LASER. A veia permanece no local, mas inativada, e separada da circulação. A grande vantagem é o pós-operatório que é muito mais simples com menos hematomas e retorno às atividades normais mais cedo.

 

Varizes voltam?

Varizes não voltam, aparecem outras que devem ser tratadas. Uma veia que estava normal no momento de um tratamento, mais tarde poderá estar doente, porque a tendência hereditária existirá durante toda a vida. Por este motivo é que se propõe o Tratamento Continuado de Varizes, que controla o problema estético e a doença conforme se manifestem.

 

Dr. Walter Jr. Boim de Araujo

Sobre Dr. Walter Jr. Boim de Araujo

CRM: 19850-PR. Graduado em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Residência Médica em Cirurgia Geral pela UEL e em Cirurgia Vascular pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mestre e Doutorando em Cirurgia pela UFPR. Título de Especialista em Cirurgia Vascular; Ecografia Vascular com Doppler e Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular pela SBACV/CBR/AMB. Membro da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE) e International Member da Cardiovascular and Interventional Radiological Society of Europe (CIRSE). Médico Assistente do Serviço de Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular do Hospital de Clínicas da UFPR. Preceptor da Residência Médica em Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital Angelina Caron.

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