Trombose Venosa Profunda – TVP

O que é Trombose Venosa Profunda?

A Trombose Venosa Profunda (TVP), é a doença causada pela coagulação do sangue (formação de trombos) no interior das veias – vasos sangüíneos que levam o sangue de volta ao coração – em um local ou momento não adequados; devemos lembrar que a coagulação é um mecanismo fisiológico (normal) do organismo.

O processo de formação de coágulos é prejudicial ao organismo?

Nem sempre. Sabemos que, quando nos cortamos, nosso organismo reage rapidamente fechando os vasos sangüíneos do ferimento com a formação de um coágulo local, para interromper o processo de perda sangüínea. Quando a formação de coágulos se dá de maneira patológica, ou seja, sem necessidade, caracteriza-se o quadro de Trombose Venosa Profunda ou TVP e, neste caso, ela é prejudicial.

Qual a incidência de Trombose Venosa Profunda?

No Brasil, um estudo clínico feito em Botucatu (SP) evidenciou a incidência de 0,6 caso a cada 1.000 habitantes por ano.

Quais as veias mais acometidas?

As veias mais comumente acometidas são as dos membros inferiores (cerca de 90% dos casos).

Por que a Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma doença importante?

Porque suas principais conseqüências a curto prazo podem levar à morte, prolongar ou complicar uma internação ou cirurgia e mesmo tornar o indivíduo inabilitado para a realização de determinadas atividades sociais e de trabalho, quando deixa o que chamamos de seqüelas.

Quais o fatores de risco?

É uma patologia mais freqüente em pessoas portadoras de certas condições predisponentes:

Uso de anticoncepcionais ou tratamento hormonal

Tabagismo

Presença de varizes

Pacientes com insuficiência cardíaca

Tumores malignos

Obesidade

História prévia de trombose venosa

Pacientes submetidos a cirurgias de médio e grande portes

Infecções graves

Traumatismo

A fase final da gestação e o puerpério (pós-parto)

Idade avançada

Pacientes com anormalidades genéticas do sistema de coagulação

E qualquer outra situação que obrigue a uma imobilização prolongada (paralisias, infarto agudo do miocárdio, viagens aéreas longas, etc).

A Trombose Venosa Profunda pode ser evitada?

Sim. Hoje existem métodos físicos, mecânicos e farmacológicos (uso de medicamentos) para prevenção da TVP, que podem ser utilizados dependendo do risco tromboembólico individual. Somente seu médico pode indicar o adequado para você.

Como posso saber se pertenço ao grupo de risco para desenvolver a Trombose Venosa Profunda?

Você deve procurar seu médico Cirurgião Vascular. A avaliação de risco é simples e a prevenção também.

Quais os sintomas?

Todo paciente com queixa de edema (inchaço) e dor nos membros inferiores deve ser avaliado pensando-se em trombose venosa profunda.

Quando ocorre manifestação clínica, o sintoma mais freqüente é dor na panturrilha,   a eritema (vermelhidão), edema (inchaço) e sensação de peso nas pernas.

Quais os achados no exame físico?

Durante o exame físico, o membro afetado pode estar mais edemaciado (inchado), com dor presente à palpação da panturrilha e à dorsiflexão do pé; podem-se observar veias varicosas ou veias superficiais dilatadas e edema de tornozelo.

Quais as complicações agudas (recentes)?

A Trombose Venosa Profunda pode ser de extrema gravidade na fase aguda, causando embolias pulmonares muitas vezes fatais (embolia pulmonar é causada pela fragmentação dos coágulos e a migração destes até os pulmões, entupindo as artérias pulmonares e gerando graves problemas cardíacos e pulmonares).

Quais as complicações crônicas (tardias)?

fase crônica, após dois a quatro anos, os principais problemas são causados pela inflamação da parede das veias que, ao cicatrizarem, podem levar a um funcionamento deficiente destes vasos sangüíneos.

O conjunto das lesões (pigmentação escura da pele, grandes varizes, inchaço (edema) das pernas, eczemas e úlceras de perna) é chamado de síndrome pós-trombótico. Esta complicação está relacionada ao grau de recanalização do vaso acometido e pode levar a imensos problemas socio-econômicos por ser de tratamento caro, prolongado e extremamente penoso em suas repercussões sociais.

Quais os métodos utilizados no diagnóstico?

A TVP é, muitas vezes, assintomática. O diagnóstico clínico é difícil. O exame mais utilizado para o diagnóstico da TVP é o Eco Color Doppler.

A TVP pode ser tratada?

Sim. O tratamento é feito com substâncias anticoagulantes (impedem a formação do trombo e a evolução da trombose) ou fibrinolíticos (destroem o trombo). Mais modernamente, e em situações selecionadas, o tratamento da TVP pode ser feito na própria residência do paciente, usando-se as heparinas de baixo peso molecular e anticoagulantes orais.

Leia mais:

Orientações sobre uso de anticoagulantes orais (Marevan)

Orientações uso de meias elásticas

Prevenção de trombose em viagens longas

 

Dr. Walter Jr. Boim de Araujo

Sobre Dr. Walter Jr. Boim de Araujo

CRM: 19850-PR. Graduado em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Residência Médica em Cirurgia Geral pela UEL e em Cirurgia Vascular pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mestre e Doutorando em Cirurgia pela UFPR. Título de Especialista em Cirurgia Vascular; Ecografia Vascular com Doppler e Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular pela SBACV/CBR/AMB. Membro da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE) e International Member da Cardiovascular and Interventional Radiological Society of Europe (CIRSE). Médico Assistente do Serviço de Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular do Hospital de Clínicas da UFPR. Preceptor da Residência Médica em Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital Angelina Caron.

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