Tratamento de mioma uterino por técnica minimamente invasiva

MIOMA UTERINO

A incidência de miomas na população em geral varia entre 20-40% das mulheres acima de 35 anos de idade. Destas, 60% podem tornar-se sintomáticas, apresentando sangramentos por longos períodos ou dor pélvica por compressão de órgãos adjacentes, necessitando de alguma forma de tratamento, quer seja medicamentoso ou cirúrgico.

A forma clássica de tratamento dos miomas sintomáticos é a histerectomia ( retirada do utero) ou a miomectomia ( retirada somente do mioma), por cirurgia convencional ou por via endoscópica

No entanto devido ao grande número de pacientes sintomáticas que gostariam de preservar o utero, assim como de manter a capacidade procriativa (ter filhos), surgiu a embolização do mioma uterino sintomático como alternativa de tratamento.

A embolização do mioma uterino (EMU) por se tratar de técnica minimamente invasiva, com baixos riscos de complicações, reduzido tempo de internamento e propiciando um retorno precoce ao trabalho, tornou-se uma alternativa terapêutica para o grande número de pacientes portadoras de metrorragia e dor pélvica crônica ocasionadas por miomas sintomáticos .

A técnica de embolização consiste na punção de uma artéria (como um cateterismo), realizado na virilha, e por ela faz-se o estudo da circulação do utero e do mioma (Figura 1). Apos o estudo da circulação do mioma faz-se o tratamento injetando microesferas (Figura 2), as quais irão ocluir a circulação que irriga o mioma e desta forma ocorrerá a diminuição dos sintomas (Figura3) .

Circulação Arterial do Mioma

 

 

 

 

Figura1- Circulação arterial do mioma.

 

 

Microesferas

 

 

 

 

Figura 2- Microesferas

 

 

Embolização com Microesferas

 

 

 

 

Figura 3- Embolização com as microesferas

 

 

A indicação da realização da técnica de embolização para tratamento de mioma sintomáticos, devera partir da decisão entre o ginecologista e a paciente, pois é necessário uma avaliação criteriosa dos sintomas e das características do mioma.

O exame de ressonância magnética também é muito importante, pois fornece mais detalhes quanto à localização e tamanho dos miomas, bem como estabelece o diagnóstico diferencial com outras doenças como adenomiose, endometriose ou sarcomas.

Poucas são as situações em que não se poderá utilizar esta forma de tratamento, por exemplo a presença de gestação em curso é uma contra-indicação absoluta, assim como a infecção ativa uterina ou dos ovários. Na suspeita de doença maligna ( cancer) é contra-indicação, exceto se a EMU for indicada como tratamento paliativo de complicações hemorrágicas ou compressivas pelo efeito de compressão em outros órgão proximo ao utero.

Apesar da embolização de mioma ser um tratamento menos invasivo, também requer cuidados

1- Repouso por 6 hora após a sua realização;

2- Internamento por 24 a 48 horas, para controle da dor;

3- Evitar atividade sexual, banhos em hidromassagem ou piscina

e uso de absorventes internos durante 30 dias;

4- Liberação para atividades diárias após 48 h;

5- Liberação para atividades físicas ou esportivas após 7 dias

Prevenção

Embora pesquisas estejam sendo feitas para investigar a causas dos miomas, existem poucas evidências científicas conclusivas para prevenção.

Cobertura por Planos de Saúde

A Agência Nacional de saúde Suplementar (ANS), que regula os planos de saúde no Brasil, após ter excluído o procedimento de embolização dos miomas uterinos na Resolução Normativa 262/2011, criou uma Diretriz de Utilização (DUT) para o procedimento, obrigando a cobertura por parte dos planos de saúde, desde que a indicação do procedimento esteja de acordo com esta DUT.

Assim, a ANS resolve adotar a DUT estabelecida para este procedimento, a saber:

1. Cobertura obrigatória nos casos de:

a. Mulheres portadoras de leiomiomas uterinos intramurais sintomáticos ou miomas múltiplos sintomáticos na presença do intramural (sintomas expressos através de queixa de menorragia/metrorragia, dismenorreia, dor pélvica, sensação de pressão supra-púbica e/ou compressão de órgãos adjacentes).

Dr. Fabiano Luiz Erzinger

Sobre Dr. Fabiano Luiz Erzinger

CRM: 17510-PR. Graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná Residência Médica em Cirurgia Geral pelo Hospital Universitário Cajuru (PUC-PR). Residência Médica em Angiologia e Cirurgia Vascular pelo Hospital Universitário Cajuru (PUC-PR). Mestre em Cirurgia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Membro Titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Título de Especialista em Cirurgia Geral pelo Colégio Brasileiro dos Cirurgiões – CBC, Título de Especialista em Cirurgia Vascular pela AMB e SBACV. Título de Especialista em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular pela AMB/SBACV e Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). Preceptor do Programa de Residência Médica em Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital Angelina Caron.

Comentários encerrados.